O último Café Com Internet do ano em Porto Alegre, realizado dia 30 de outubro, mostrou que a regulamentação do E-mail marketing, em discussão avançada no Comitê Gestor de Internet no Brasil, pode ser melhor para a Internet do que a Lei Anti-SPAM, em tramitação no Senado. Também evidenciou a necessidade de apoio político por parte de empresas públicas e privadas como o Sebrae e CDL para combater a fraude no E-commerce.
O formato escolhido pela WBI Brasil – em forma de debate, reunindo seis especialistas em Internet brasileira - para discutir os temas Lei Anti-SPAM e E-Commerce, agradou os participantes e propiciou vasta reflexão a partir das idéias e considerações levantadas.
“O evento foi excelente. O público gostou, e com certeza vamos repetir a dose”, antecipa o diretor de Marketing da WBI Brasil, Paulo Kendzerski, idealizador do Café Com Internet e principal articulador do elenco de especialistas convidado para o evento na capital dos gaúchos.
KENDZERSKI: IMPULSO PARA E-COMMERCE DEVE VIR DAS ENTIDADES QUE REPRESENTAM LOJISTAS
De acordo com Kendzerski, o debate foi mais acirrado em torno da regulamentação do E-mail Marketing. “Como existe uma lei para ser aprovada, a discussão terminou recaindo sobre qual o modelo ideal para atender a todos as necessidades, a todos os públicos.
Já o E-Commerce, revelou aspectos importantes, como por exemplo o desconhecimento por parte do empresariado gaúcho”, avalia o diretor de Marketing da WBI Brasil.
Na ótica do especialista, os empresários gaúchos ainda desconhecem os riscos, os problemas que vão enfrentar quando colocarem uma loja virtual no ar. “O desconhecimento ainda é muito grande. Diria até que tem o mesmo tamanho dos problemas que serão enfrentados”, enfatiza o dirigente, para quem o grande impulsionador do E-Commerce terá que sair de entidades que representam os lojistas, como CDL, Sindilojas, Federação do Comércio e Sebrae.
“Estas são as entidades que deveriam estar coordenando a discussão em torno do tema”, alfineta, observando que a WBI formalizou convite de participação para o Café Com Internet, mas que não houve receptividade.
Ainda do ponto de vista de E-Commerce, o diretor observa que a preocupação ficou por conta da fraude no momento da entrega do produto. “O consumidor pode negar que fez a compra e a administradora de cartões simplesmente aceita, como se esta fosse a última palavra. A administradora não consegue receber do lojista provas legais, documentadas de que o produto foi entregue. Esta é a grande discussão”, enfatiza, observando que as fraudes atingem cerca de 40% dos negócios movimentados no E-Commerce.
Kendzerski revelou dados de pesquisa recente da WBI Brasil no debate, em que 64% das pessoas entrevistadas declararam ter comprado na WEB após ter recebido e-mail marketing promocional. “A mesma pesquisa mostrou que somente 1,98% das pessoas não querem receber nenhum e-mail de promoção”, destacou o dirigente.
Outro aspecto para o qual chamou atenção é o do que existe diferença entre enviar e-mail e fazer e-mail marketing. “Enquanto o envio de e-mail é invasivo e deixa os usuários insatisfeitos com o recebimento, o e-mail marketing é desejado e o usuário fica muito satisfeito quando recebe algo útil”, comparou. O especialista em Marketing Digital da WBI Brasil também fez considerações sobre a posição de “censor” que os provedores adotam ao não entregar e-mails legítimos, validados pelos clientes, baseados nas regras “burras”.
Participaram do último Café Com Internet do ano em Porto Alegre, Jaime Wagner, membro do Comitê Gestor da Internet no Brasil e responsável pela discussão da Lei de Regulamentação do E-mail Marketing; Newton Braga Rosa, professor da UFRGS e Consultor do PNI (Organização da ONU); César Paz, presidente da AGADI (Associação Gaúcha de Agências Digitais) e Jonatas Abbot, diretor da Dinamize e colunista do Baguete. O jornalista Maurício Flach Renner (foto), editor do Portal Baguete e colunista de TI do Jornal do Comércio, atuou como mediador.
O jornalista Maurício Flach Renner (foto), editor do Portal Baguete e colunista de TI do Jornal do Comércio, atuou como mediador.
NEWTON BRAGA ROSA: PROJETO DE LEI EM CURSO NÃO É BOM, DEVERIA SER MAIS SIMPLES
Para o professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Newton Braga Rosa, também consultor do PNI, o debate deixou grande aprendizado.
“Tivemos um fórum privilegiadíssimo. Tenho a certeza que explorei a platéia. Saí do debate com uma contribuição muito maior do que a que dei”, disse ao final do evento.
O tema E-Mail Marketing, na sua opinião, foi muito pertinente. Ele diz que o setor não quer SPAM, mas que ao mesmo tempo não pode privar as pequenas empresas da oportunidade de usar a potencialidade da Internet para se fazer notar no mercado. “Nós temos que quebrar o monopólio dos grandes. Os grandes veículos, as grandes agências e os grandes fornecedores acabam tomando esse mercado. O e-mail marketing é a maneira do pequeno conseguir aparecer e realizar sua missão no mundo dos negócios”, disse o professor.
Newton Rosa destacou as regras em discussão (opt-in e opt-out) comparando com o meio tradicional e foi enfático na defesa de um projeto de Lei mais simples.
“O projeto de Lei em curso não é bom porque deveria ser mais simples. O Brasil podia começar exigindo o opt-out de uma forma tecnicamente mais confiável e se por acaso isso não fosse suficiente, aí sim, daria um passo seguinte. Não podemos esquecer que as mídias tradicionais não tem opt-in e muito menos opt-out”, enfatizou.
Na sua opinião, o problema do “soft opt-in” está na condição de que só se pode mandar um e-mail para quem já tenha tido algum relacionamento comercial ou social. “É certo que a Lei vai precisar de um decreto de regulamentação e isso é muito ruim.
O decreto demora para vir, e quando vem, chega de uma forma que pode distorcer completamente o espírito inicial ao estabelecer condições muito brandas ou muito rígidas para interpretação dessa condição de relacionamento social ou econômico”. Ele conta que quando estudou a Lei pela primeira vez teve a impressão de que é muito complexa, que parecia estar tentando resolver muitos problemas de uma só vez.
“Uma lei mais simples talvez fosse mais bem sucedida. No entanto, começar a tramitar uma nova lei é inviável. Temos que aproveitar esta mesma, em curso, e fazer uma emenda simplificadora, que corte artigos e resuma todos os aspectos num núcleo de consenso, num denominador comum”, observou o professor e vereador em Porto Alegre (PP/RS), que também abordou no debate a legislação sobre o uso do e-mail marketing nas campanhas eleitorais.
CÉSAR PAZ: AGADI SE POSICIONA PELA AUTO-REGULAMENTAÇÃO, NÃO PELA LEI ANTI-SPAM
Para César Paz, presidente da Associação Gaúcha de Agências Digitais (AGADI), que pela primeira vez participou do Café COM Internet, “a WBI Brasil está de parabéns”. Segundo o dirigente, a legitimidade do evento, comprovada pelo elenco debatedor que reuniu um vereador, representante do Comitê Gestor da Internet e de representantes e dirigentes de entidades, mostrou força política suficiente para movimentar o segmento e dar continuidade às discussões.
“A discussão em torno do E-Commerce foi aprofundada e ficou a perspectiva de a partir daí passar a reunir algumas entidades para avançar nos processos, talvez até criando algum elemento novo, uma vez que as situações de fraude se parecem”, observou Paz.
Quanto ao projeto de Lei Anti-Spam, em tramitação no Senado, o presidente da AGADI diz que ainda não foi debatido o suficiente e que inclusive existem vários segmentos da sociedade que não concordam com o substitutivo do senador Eduardo Azeredo (PSDB/MG), relator do projeto, inclusive a Agadi. “Nós nos posicionamos claramente pela auto-regulamentação do E-mail Marketing e não pela Lei e esperamos, na verdade, que as várias vozes da sociedade se pronunciem e que não haja espaço para aprovação da Lei no Senado”.
Ele explica que o projeto de auto-regulamentação, considerado o melhor caminho pelas diversas entidades que já se reuniram para avaliar o assunto, não modifica nada na legislação brasileira, simplesmente propõe que as entidades do setor sigam à risca os procedimentos adotados. “É quase um pacto de bons princípios em relação à utilização do e-mail marketing. É nisso que nós acreditamos.
A Internet é um espaço absolutamente amplo e democrático e regulamentar coisas que mudam todo dia, nem sempre é efetivo na verdade”. Observa que hoje, cerca de 95% dos problemas de e-mail marketing não estão sujeitos a regulamentação e que partem, inclusive, de fora do país.
Paz abordou abrangência e oportunidades que a Internet oferece a empresas de todos os tamanhos e segmentos e destacou a importância do investimento em Publicidade Online, citando como exemplo o mix de comunicação disponível.
CAFÉ COM INTERNET ELEGEU OPT-OUT COMO A MELHOR LEI, COM 70% DOS VOTOS
Jaime Wagner, membro do Comitê Gestor da Internet no Brasil e responsável pela discussão da Lei de Regulamentação do E-mail Marketing, trabalhada de forma paralela à Lei Anti-SPAM, em tramitação no Senado, falou sobre as características do e-mail marketing e sobre as diferenças do SPAM.
Outro aspecto abordado pelo especialista foi a Lei proposta no Brasil, de “soft opt-in”, que prevê a possibilidade de envio de e-mail inicial para qualquer pessoa que possua algum tipo de relação com a empresa, num modelo semelhante ao adotado na Europa.
Já Jonatas Abbot, diretor da Dinamize, reforçou a “tese” dos bloqueios indevidos feito pelos provedores que utilizam regras “burras”, observando que deveriam configurar os IP’s válidos como idôneos e não a classificação geral, como SPAMMER.
Segundo o dirigente, o importante não é discutir sobre SPAM e sim sobre o retorno que o e-mail marketing pode oferecer às empresas.
Abbot também alertou para a restrição imposta ao e-mail marketing, de incentivo ao monopólio das comunicações por grandes grupos empresariais, em detrimento das pequenas e médias empresas. O diretor da Dinamize sugeriu que os profissionais de marketing tenham mais criatividade nas ações de e-mail marketing e inteligência nas escolhas das soluções.
Para Abott, o gargalo do E-Commerce no Brasil está na falta de cultura, na falta de conhecimento do que está acontecendo e de como usar a poderosa ferramenta que é a Internet. “Há uma dificuldade de aprendizado tanto do lado do consumidor como do lado das empresas”, enfatizou, frisando que hoje o gargalo está na cultura, mas que muito em breve estará na infraestrutura.
A principal orientação em termos de E-mail Marketing que o especialista deixou ao mercado é de que seja trabalhado com bases que tenham sinergia com a empresa, que tenham relacionamento. “As empresas não devem comprar listas. Devem procurar fornecedores profissionais, agências e enviadores para fazer o envio de E-mail Marketing”, recomendou Abott.
Uma rápida enquete entre os quase 100 participantes do debate para identificar qual seria a melhor Lei a ser sancionada no Brasil, apontou em primeiro lugar, o OPT-OUT, com 70% dos votos, seguido do OPT-IN, com 4% e do SOFT OPT-IN, com 10% dos votos.
A programação do evento Café COM Internet 2009, já está publicada no link www.cafecominternet.com.br

Jonatas Abbott, Jaime Wagner, César Pa, Mauricio Renner, Newton Braga Rosa e Paulo Kendzerski
Fonte: Vanda Araújo - Assessoria de Imprensa da WBI Brasil
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