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Para a Ford, o melhor carro é o que roda com a internet

09/06/2010


Alan Mulally deve adorar estar em movimento. O presidente da Ford Motor Co. comandou antes a divisão de aviões comerciais da Boeing Co. Ele assumiu a direção da montadora em 2006 e, sob ele, a Ford está rapidamente fazendo do carro um lugar para se acessar a tecnologia da internet. Mesmo os modelos mais baratos da Ford oferecem um sistema sofisticado chamado Sync, que integra aparelhos de música e fones de ouvido ao controle de voz do carro. E a companhia está preparando uma versão melhorada, batizada de MyFord, que permite ao usuário controlar aplicativos com telas de toque ou botões giratórios.

Ele conversou com Walt Mossberg e Kara Swisher, do Wall Street Journal sobre o carro conectado. Aqui, estão trechos editados da conversa.

Carros digitais Kara Swisher: O senhor pode nos explicar como os carros estão se tornando digitais? Alan Mulally: Nós desenhamos os carros digitalmente. Simulamos o veículo por completo antes de começar a produção. Fazemos a simulação digital da produção, da montagem final e da fabricação de todos os subcomponentes.

O sistema elétrico é todo digital.

A conexão com a internet, MyFord, Sync, a interface com todos os equipamentos do carro. Você pode também ver as ferramentas de diagnóstico e serviços porque nós monitoramos todas as partes do carro. Damos ao proprietário um levantamento mensal sobre a situação do carro e o que precisa ser feito.

Swisher: Vamos falar sobre para onde o carro está indo. O carro tem sido um lugar onde, na maior parte das vezes, você não faz muitas atividades digitais.

Walt Mossberg: Você abre a porta do seu carro, e é 1957 de novo, e sua vida digital, todas as suas coisas digitais não estão bem integradas com o carro, pelo menos não até agora.

Mulally: Partimos do ponto de vista de que o poder da computação vai mudar dos laptops para os telefon es - os aparelhos que levaremos conosco a todos os lugares - nossa conexão com a internet, informações e direções.

Então, a melhor coisa que poderíamos fazer para o consumidor seria administrar a interface.

Ele pode estar com as mãos no volante e os olhos na estrada. Atividade por comando de voz. Foi assim que chegamos ao Sync e ao MyFord.

Mossberg: Vocês desenvolveram o Sync originalmente com a Microsoft.

Isso foi feito há alguns anos, eu acredito, no seu carro mais simples. Achei o sistema melhor na interface com o meu telefone e o meu iPod do que o que estava disponível num Mercedes, embora aquele fosse um carro de US$ 15 mil ou US$ 17 mil.

Mulally: Nós procuramos a Microsoft. Eles forneceram o sistema operacional, o Microsoft Auto. Além disso, nós colocamos o programa chamado Sync e usamos a tecnologia Bluetooth para fazer a interface dentro do carro. Você traz seus equipamentos.

Reconhecimento de voz Mossberg: O senhor tinha uma função que lia pelo menos algumas mensagens de texto para o motorista.

Mulally: Sim, nós estamos trabalhando nisso com muito cuidado para ter a certeza de que qualquer coisa que possa ser compartilhada com o motorista seja segura. Você não quer ninguém mexendo em teclados. Todos os nossos dados mostram que as operações mais seguras são aquelas em que você mantém as mãos no volante e os olhos na estrada.

Mas o que não queremos fazer, até que o sistema de reconhecimento de voz fique ainda melhor, é cair numa situação em que algo não seja claro, pela escuta ou transmissão, e que o motorista acabe spreocupado com isso ao invés de preocupado em dirigir. Hoje, o que oferecemos é que você pode ouvir seus textos.

Swisher: Por que demorou tanto para que essas coisas fossem colocadas em carros?

Mulally: Existe um descompasso fundamental entre o ciclo de desenvolvimento de automóveis e o de produtos eletrônicos de consumo. A maioria das montadoras começou a incluir telefones e tecnologia, mas elas têm marca registrada. O mundo está se movendo numa direção completamente diferente.

Nós partimos do princípio de que queríamos acessar todo o desenvolvimento dos produtos eletrônicos de consumo. Nosso foco é na gestão da interface. Isso nos permitiu realmente acelerar a introdução dessa tecnologia.

Mossberg: Agora, o senhor está indo além disso com o MyFord Touch. O senhor pode explicar?

Mulally: Sabíamos que para oferecer essa função precisaríamos de interfaces fantásticas e intuitivas para o usuários. Teriam que ser claras. Teriam que ser simples.

O MyFord Touch é, em primeiro lugar, ativado pela voz; em segundo, no volante, com um sistema de controle com cinco pontos [para a troca da seleção de menu nas telas], nos dois lados do velocímetro, onde você tem todos os aspectos associados à operação do carro. No outro lado, você tem todos os dados relacionados ao entretenimento e à navegação.

Você pod e operar o carro e acessar as informações suavamente e sem distrações.

Swisher: O que o senhor acha que as pessoas querem em carros com tecnologia digital, além de dirigir? Mulally: Estamos observando todas as tendência nos eletrônicos de consumo para saber o que as pessoas realmente estão fazendo dentro do carro, já que elas vão fazer essas coisas de qualquer forma, não é? O que queremos é eliminar a distração com o uso dos dedos.

Um bom exemplo é o Pandora [um serviço de música personalizado].

A gente se reuniu com o Pandora. Agora, você pode fazer tudo o que quer com o Pandora, mas não precisa usar os dedos.

Swisher: Que outros aplicativos são úteis em um carro? Mulally: Uma outra coisa bacana é que, se você está usando seu telefone inteligente antes de entrar no carro, o movimento é simples para dentro do carro. Então, se você começou a atividade fora, por exemplo, para encontrar um restaurante ou o caminho para algum lugar, a informação vai d ireto para o carro e você não perdeu nada, aí entra o aplicativo.

Saída rápida Swisher: O sistema de navegação é outra coisa que está mudando drasticamente. Os mapas do Google funcionam muito bem para ver o padrão do trânsito e coisas assim. Mas quem trabalha com carros nunca me ofereceu nada que seja meramente decente.

Mulally: Eu acho que no futuro todos os mapas serão melhorados, com mais fotos e informações ainda. Nós queremos seguir absolutamente todos os aplicativos que estiverem sendo desenvolvidos, e aí você só coloca isso direto no carro.

Swisher: Que tipo de carro o senhor dirige?

Eu dirijo um carro diferente todas as noites.

Há três anos, quando decidimos que teríamos uma família [de carros] completa e que ela seria a melhor, eu pedi para dirigir os carros dos concorrentes. Eu me lembro da primeira vez que tentei entrar na sede mundial da Ford com um Camry. Eles quase não me deixaram entrar. Eles me disseram: "Por que você quer f azer isso?". Eu disse: "Porque nós vamos fazer os melhores carros do mundo e precisamos saber tudo sobre o carro do concorrente".

Mossberg: Digamos que vocês consigam se tornar os mais avançada na integração de todas essas coisas. Isso vende carros"

Mulally: Esta tecnologia é absolutamente um diferencial. E se você olhar a Ford - ela absolutamente vende carros.
 



Fonte: Valor Econômico - SP


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